Visão da Bíblia – Parte I

Me parece que ultimamente a Bíblia tem sido vista com certo desprezo pelos próprios cristãos. Tenho visto isso à medida que muitas igrejas vêm deixando de ensiar e estudar os princípios da palavra de Deus na sua fonte original para utilizar livros de “mais fácil acesso aos que não tem o hábito de ler as escrituras”. Não consigo entender esta posição como algo convicto para aqueles que chamam realmente a Bíblia de “Palavra de Deus” e “Alimento”.

“Dizer que a característica mais óbvia da moderna Igreja Cristã é, infelizmente, a superficialidade, não é formular um juízo exageradamente severo…

Para nós, o que mais importa é descobrir as causas dessas condições. No que me diz respeito, gostaria de sugerir que uma das causas fundamentais é a nossa atitude para com as Escrituras, o fato que não as tomamos a sério, o fato que não as aceitamos como elas são, e o fato que não permitimos que elas falem conosco. Paralelamente a isso, talvez devamos aludir àquela invariável tendência que temos de passar de um extremo para outro. Contudo, a causa primária, segundo penso, é a nossa atitude para com a Bíblia.

Na vida cristã, coisa alguma é tão importante quanto a maneira como nos aproximamos da Bíblia, quanto a maneira como a lemos. Ela é o nosso único manual de instruções, a nossa única fonte informativa, a nossa única autoridade. Não fora a Bíblia, nada poderíamos saber acerca de Deus e da vida cristã, em qualquer sentido verdadeiro. Podemos extrair dversas deduções com base na natureza, mediante as quais cheguemos a uma certa crença na existência de um supremo Criador. Entretanto, penso que a maioria dos evangélicos concorda – segundo se tem aceito ao longo da já prolongada e tradicional História da Igreja – que não possuímos qualquer outra autoridade fora desse Livro. Não podemos depender exclusivamente das experiências subjetivas, porquanto existem maus espíritos tanto quanto existem espíritos bons; e também há experiências espúrias. Na Bíblia, portanto, é onde encontramos a nossa única autoridade.”

Texto retirado da Introdução do livro “Estudos no Sermão do Monte, de Martyn Lloyd-Jones – 1984.

 Me parece que este texto do grande pregador britânico (nada mais, nada menos que o “dono” do púlpito da Capela de Westminster) não se equivoca sobre a situação de muitos de nós Cristãos.

Detalhe: o texto é datado da época de1959.

Preocupante, não?

A Fé

Para começar, entendo que a base para tudo o que será publicado aqui se resume em duas letras: fé. Tudo o que for aqui postado será baseado na fé, que vem do conhecer a verdade, e a verdade é a Palavra de Deus, e a palavra de Deus é Cristo vivo. 

“Ora, a fé é a certeza de cousas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem. Pois pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho. Pela fé entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das cousas que não aparecem.”

Hebreus 11.1-3.

Não há no mundo nada que se compare com algo conhecido como Fé. Conforme o texto acima, podemos ver que a fé é o meio pelo qual nos mantemos ligados ao relacionamento com Deus. A fé se revela misteriosa primeiramente ao que não crê, ao que não participa da experiência de um relacionamento com Deus. Mas, para aquele que conhece a verdade, a fé liberta.

Esta pequena palavra se torna o pilar da vida a partir do momento no qual uma pessoa entende que Deus é e está consigo. É inexplicável ao olhar humano, mas é a certeza das coisas que não se vêem, e uma certeza infalível.

A fé não pode ser condicional, não pode aumentar ou diminuir devido às circunstâncias que a vida traz ao ser humano. Ela não existe para que seja usada no dia e hora bem entendido, para que seja descartada ou deixada de lado nos momentos em que nada explica uma queda ou uma má fase na vida de alguém.

E tudo isso é porque a fé se sustenta em uma relação recíproca entre o homem e seu criador através de Jesus Cristo – por mais que esta relação se dê no intangível. E, afinal, uma relação de enterga e confiança da vida não seria mais justa e autêntica do que uma relação entre a entrega pela pura confiança. O mais interessante de tudo é que, a partir do momento da entrega, conhecemos a natureza de Deus pouco a pouco e sabemos que ela é perfeita. Ao mesmo tempo Deus já nos conhece e sabe que somos imperfeitos, mas à nós Ele confia a vida.

Portanto a fé não se trata de uma busca para apoio ou conforto – essa relação não serve para a sustentação de uma acomodação do ser humano quanto ao status do que se passou e do que será a sua vida. A fé é compromisso contínuo de duas partes.

Mas, se vivida como acima citado, a fé é morta, simplesmente não é fé, pois se torna numa rotina diária de uma crença liturgica, se torna somente um escudo para o sofrimento do qual a pessoa se esconde..

Para finalizar,

A fé é a vida, sem fé não há vida, sem fé não há esperança e, acima de tudo, sem fé não há o conhecimento da verdade que é Cristo.


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